A obra de dança "Cafuçus", estreou no Galpão da Cena de Itapipoca CE, na Mostra Performática Intenções 2015.
Espetáculo CAFUÇUS | Apresentação na Mostra Performática Intenções, Ponto de Cultura Galpão da Cena de Itapipoca CE, Julho de 2015.
O projeto de pesquisa desenvolvido pela Cia Balé Baião: “Corporeidades cafuzas”, é articulado pelo pedagogo, dançarino, coreógrafo, professor de dança Gerson Moreno em Itapipoca CE. O espetáculo “Cafuçus” é uma tríade que começa em 2013 com o duo “Cafuçu.com”, seguindo com o solo “Terreiros mestiços” em 2014.
Em cena quatro homens cafuzos de contextos distintos e corpos singulares, estabelecem relações gradativas que se desdobram a partir de suas danças, pessoalidades e histórias de vida.
Um deles é BBoy, outro é capoeirista, um é quadrilheiro junino e outro é jogador de futebol. Em comum os quatro trazem as práticas semanais de danças afro-brasileiras e dança contemporânea realizadas no Galpão da Cena, a partir da pesquisa de corporeidades desenvolvida pela Cia Balé Baião. Ambos anseiam pela necessidade de experimentar, vivenciar proposições, criar em coletivo e estabelecer compartilhas com a comunidade.
O termo Cafuzo ou carafuzo, é resultado da união entre negro e índio. Vários dicionários, como o Houaiss, apontam "origem controversa". O etnólogo angolano Óscar Bento Ribas afirma que vinha do quimbundo kufunzaka, "desbotar". Nosso Ceará é terra de Cafuzos, que para as camadas mais populares ganhou uma outra conotação e significado. O termo transformou-se num neologismo brasileiro para adjetivar os homens mais rudes, de baixa renda, e que geralmente moram nas periferias das cidades.
De Cafuzu passou a se chamar “Cafuçu”. Essa conotação dada ao homem Cafuzu ou Mestiço, na verdade resulta de um preconceito histórico para com as camadas pobres que habitam as favelas e periferias das cidades e interiores, especificamente para com as pessoas que trazem nos seus rostos /corpos os traços do Negro e do Índio, imagens que ainda pairam no inconsciente de nossa população com rumores de desprezo, medo e repugnância.
O Corpo Cafuzu que mora nos sertões e periferias do Ceará trazem elementos estéticos/dramatúrgicos/poéticos que nascem da fusão de diversas etnias, nações, tribos, aldeias, quilombos e terreiros, dignos de nossa atenção e olhar investigativo.
Trata-se do corpo mestiço, de corporeidades singulares nascidas das nossas ancestralidades e que ganharam na sociedade contemporânea novos formatos, modos de se manter e existir no bojo da periferia.
Ficha técnica:
Concepção/direção:
GERSON MORENO
Dançarinos/Cafuçus:
LUÍS EDUARDO
EDSON KEIRÓZ
JÚLIO MOTA
BENEDITO MAX
Video teaser da obra:
