terça-feira, 26 de maio de 2015

Torém dos Tremembé


Os tremembé são um grupo étnico indígena que habita os limites do município brasileiro de Itarema, no litoral do estado do Ceará, mais precisamente na Área Indígena Tremembé de Almofala (Itarema), Terras Indígenas São José e Buriti (Itapipoca), Córrego do João Pereira (Itarema e Acaraú) e Tremembé de Queimadas (Acaraú).

Os tremembé eram originalmente nômades que viviam num território que estendia-se do sul do Maranhão até o Rio Acaraú, no atual estado do Ceará. Foram aldeados pelos Jesuítas no século XVII nas missões de Tutoya (Tutóia-Maranhão), Aldeia do Cajueiro (Almofala) e Soure (Caucaia).
Foram declarados como não existentes pelo então governador da Província do Ceará (José Bento da Cunha Figueiredo Júnior), após decreto de 1863. Antes disto, em 1854, os índios perderam o direito da terra pela regulamentação da Lei da Terra. Estes ressurgem no cenário cearense nas décadas de 1980 e 1990, quando são reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio.
Os tremembé
conseguiram guardar um pouco da sua arte e cultura. Eles ainda dançam o torém (uma dança ritual) e ainda produzem o mocororó (vinho de caju azedo fermentado). Eles costumam pintar as paredes das suas habitações e cerâmicas com motivos simbólicos do seu habitat, como: o caju, a rolinha, peixes, caranguejos e outros. As mulheres tremembés confeccionam biojoias, como colares e pulseiras com conchas, búzios e sementes. A tecelagem também é confeccionada por estes.

A dança:

Nos séculos XVI e XVII, os Tremembé ocupavam a extensa região litorânea que segue do atual Pará ao Ceará. Com a colonização portuguesa, aldeamentos missionários foram criados ao longo das terras. No Ceará os índios se fixaram no aldeamento Aracati-mirim na chamada Missão Nossa Senhora da Conceição dos Tremembé, era uma instituição de catequese, mas voltava-se também aos serviços religiosos para a população regional.
Acredita-se que em época anterior tenham povoado até a foz do Açú ou mesmo o Cabo de São Roque, chegando ao Gurupi, no Pará. Alimentavam-se de peixe e carne, embora fossem mais pescadores do que caçadores. Usavam cerâmica grosseira, cabaças e apreciavam muito caju e a tartaruga. Plantavam mandioca e algodão e Criavam cães. Moravam em choças construídas com ramos ou folhas de palmeira e dormiam nas areias das praias[...]. De Espírito Belicoso, chamaram a atenção dos viajantes espanhóis, franceses e portugueses. Pouco se conhecia sobre o seu sistema de parentesco e organização política. Sua língua também é desconhecida, restando apenas alguns vocábulos recolhidos na dança do Torém, ainda hoje executada na cidade de Almofala. (SILVA, 2003, p.56-57)

O Torém atualmente é o elemento da cultura Tremembé que mais resistiu ao processo de aculturação iniciado na colonização. Trata-se de uma dança realizados por pessoas de ambos os sexos que dançam em uma roda aos som dos instrumentos iguaré e flauta, ao decorrer da dança os participantes bebem e cantam músicas utilizando-se da antiga língua Tremembé.
Era definida como um folguedo ou dança folclórica organizada por caboclos ou descendentes de índios. Ou era vista como uma Sobrevivência da “cultura originária” dos Tremembé. Se era valorizada como sobrevivência cultural, temia-se pelo seu desaparecimentos. Além de ser uma visão estática da cultura, sugeria a continuidade de um “modo de ser” indígena, que se mostrava presentemente diluído por traços cada vez mais “aculturados”.(VALLE, 2005, p. 197)

Em 1965 José Silva Novo, professor de educação artística da Universidade Federal do Ceará, foi um dos principais incentivadores da participação dos torenzeiros no Festival de Folclore da UFC realizado naquele ano. Ele conseguiu juntamente com a prefeitura de Itapipoca ajuda financeira para trazer os índios e ajudar na compra dos materiais utilizados nos adornos como tecidos, penas entre outros. Novo relata que sua intenção era mostrar a Fortaleza e aos outros estados a beleza da cultura dos Tremembé. “Mas o meu interesse na exibição daquela dança era fora do comum. Queria que Fortaleza inteira, que os folcloristas do Brasil, sentissem e vissem de perto, e com os olhos arregalados, aquela beleza de folclore já quase deturpado”. (NOVO, 1976)


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