Os tremembé são um grupo étnico
indígena que habita os limites do município brasileiro de Itarema, no litoral
do estado do Ceará, mais precisamente na Área Indígena Tremembé de Almofala
(Itarema), Terras Indígenas São José e Buriti (Itapipoca), Córrego do João
Pereira (Itarema e Acaraú) e Tremembé de Queimadas (Acaraú).
Os tremembé eram originalmente
nômades que viviam num território que estendia-se do sul do Maranhão até o Rio
Acaraú, no atual estado do Ceará. Foram aldeados pelos Jesuítas no século XVII
nas missões de Tutoya (Tutóia-Maranhão), Aldeia do Cajueiro (Almofala) e Soure (Caucaia).
Foram declarados como não
existentes pelo então governador da Província do Ceará (José Bento da Cunha
Figueiredo Júnior), após decreto de 1863. Antes disto, em 1854, os índios
perderam o direito da terra pela regulamentação da Lei da Terra. Estes
ressurgem no cenário cearense nas décadas de 1980 e 1990, quando são
reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio.
Os tremembé
conseguiram guardar
um pouco da sua arte e cultura. Eles ainda dançam o torém (uma dança ritual) e
ainda produzem o mocororó (vinho de caju azedo fermentado). Eles costumam
pintar as paredes das suas habitações e cerâmicas com motivos simbólicos do seu
habitat, como: o caju, a rolinha, peixes, caranguejos e outros. As mulheres
tremembés confeccionam biojoias, como colares e pulseiras com conchas, búzios e
sementes. A tecelagem também é confeccionada por estes.
A dança:
Nos séculos XVI e XVII, os
Tremembé ocupavam a extensa região litorânea que segue do atual Pará ao Ceará.
Com a colonização portuguesa, aldeamentos missionários foram criados ao longo
das terras. No Ceará os índios se fixaram no aldeamento Aracati-mirim na
chamada Missão Nossa Senhora da Conceição dos Tremembé, era uma instituição de
catequese, mas voltava-se também aos serviços religiosos para a população
regional.
Acredita-se que em época anterior
tenham povoado até a foz do Açú ou mesmo o Cabo de São Roque, chegando ao
Gurupi, no Pará. Alimentavam-se de peixe e carne, embora fossem mais pescadores
do que caçadores. Usavam cerâmica grosseira, cabaças e apreciavam muito caju e
a tartaruga. Plantavam mandioca e algodão e Criavam cães. Moravam em choças
construídas com ramos ou folhas de palmeira e dormiam nas areias das
praias[...]. De Espírito Belicoso, chamaram a atenção dos viajantes espanhóis,
franceses e portugueses. Pouco se conhecia sobre o seu sistema de parentesco e
organização política. Sua língua também é desconhecida, restando apenas alguns
vocábulos recolhidos na dança do Torém, ainda hoje executada na cidade de
Almofala. (SILVA, 2003, p.56-57)
O Torém atualmente é o elemento
da cultura Tremembé que mais resistiu ao processo de aculturação iniciado na
colonização. Trata-se de uma dança realizados por pessoas de ambos os sexos que
dançam em uma roda aos som dos instrumentos iguaré e flauta, ao decorrer da
dança os participantes bebem e cantam músicas utilizando-se da antiga língua
Tremembé.
Era definida como um folguedo
ou dança folclórica organizada por caboclos ou descendentes de índios. Ou era
vista como uma Sobrevivência da “cultura originária” dos Tremembé. Se era
valorizada como sobrevivência cultural, temia-se pelo seu desaparecimentos.
Além de ser uma visão estática da cultura, sugeria a continuidade de um “modo
de ser” indígena, que se mostrava presentemente diluído por traços cada vez
mais “aculturados”.(VALLE, 2005, p. 197)
Em 1965 José Silva Novo,
professor de educação artística da Universidade Federal do Ceará, foi um dos
principais incentivadores da participação dos torenzeiros no Festival de
Folclore da UFC realizado naquele ano. Ele conseguiu juntamente com a
prefeitura de Itapipoca ajuda financeira para trazer os índios e ajudar na
compra dos materiais utilizados nos adornos como tecidos, penas entre outros.
Novo relata que sua intenção era mostrar a Fortaleza e aos outros estados a
beleza da cultura dos Tremembé. “Mas o meu interesse na exibição daquela dança
era fora do comum. Queria que Fortaleza inteira, que os folcloristas do Brasil,
sentissem e vissem de perto, e com os olhos arregalados, aquela beleza de
folclore já quase deturpado”. (NOVO, 1976)
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